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Por quem trabalha aqui — e acompanha esse mercado de perto há anos.
Por Roberto Servidio · CRECI-SP 304142 · Maio de 2026
Tem uma coisa curiosa que acontece quando você trabalha com imóveis em Praia Grande há anos, você começa a enxergar o momento antes de ele virar manchete.
Não é intuição, é acúmulo. É conversar com o mesmo comprador que voltou três vezes antes de assinar, é acompanhar o preço do metro quadrado subir devagar mas de forma consistente, é perceber que os vizinhos de Santos e Guarujá estão olhando para cá com um misto de surpresa e um pouco de inveja, é entender que algo mudou aqui — e que essa mudança não é temporária.
Praia Grande não é mais destino de veraneio, ela virou endereço e tem uma diferença enorme entre as duas coisas.
O veranista vem em janeiro, fica quinze dias e vai embora, já o morador instala internet de fibra, matricula filho na escola, escolhe o mercado que vai frequentar toda semana. E é esse segundo perfil que está chegando em volume crescente — famílias de São Paulo, do ABC, de Campinas, de São José dos Campos, do Vale do Paraíba, que descobriram que a distância que separa a capital do litoral é menor do que o estresse diário de morar na metrópole.
São 80 quilômetros pela Anchieta ou pela Imigrantes, menos de uma hora em horário normal, e você troca o trânsito da Paulista pela Avenida Beira Mar. Campinas fica a 150 quilômetros. São José dos Campos a menos de 100. Sorocaba a pouco mais de 120. O raio de uma hora e meia a partir de Praia Grande cobre uma das maiores concentrações de renda per capita do Brasil — e toda essa gente está olhando para a mesma direção.
O que acontece em Praia Grande faz parte de algo muito maior, e entender isso ajuda a enxergar por que esse movimento tem fôlego de longo prazo.
Depois de 2020 o mundo inteiro começou a fazer uma pergunta diferente, não mais "onde eu preciso estar" mas "onde eu quero viver", e para uma parcela crescente de profissionais — médicos, advogados, empresários, executivos que trabalham remotamente — a resposta foi o litoral.
Isso já aconteceu na Europa, onde cidades costeiras menores valorizaram de forma acelerada quando o trabalho à distância normalizou, aconteceu nos Estados Unidos, onde o êxodo dos grandes centros para as cidades costeiras virou fenômeno econômico documentado, aconteceu em Florianópolis, em Búzios e em várias cidades brasileiras que reuniram os ingredientes certos no momento certo.
Nos últimos anos vários veículos de comunicação passaram a comparar cidades litorâneas brasileiras com Miami. A expressão "Miami brasileira" apareceu em matérias da Veja, em portais de economia, em análises de mercado — às vezes referindo-se a Balneário Camboriú, às vezes ao litoral paulista de forma mais ampla.
É uma comparação sedutora, e ela captura algo real, a migração de alto padrão para o litoral, o perfil de investidor que combina moradia e renda de temporada, o surgimento de empreendimentos com acabamento e lazer que rivalizam com os grandes centros. Esse movimento existe em Praia Grande — é visível, é mensurável, é cotidiano para quem trabalha aqui.
O que ela simplifica demais é a escala, Miami tem um mercado internacional com demanda de compradores estrangeiros e dinâmica cambial que não se replica. A comparação serve como inspiração de trajetória, não como equivalência de mercado e Praia Grande não precisa ser a Miami de ninguém para ser relevante — ela tem personalidade própria e caminho próprio.
A comparação com Balneário Camboriú é mais próxima e merece atenção, as semelhanças são reais, orla longa, crescimento acelerado de lançamentos de alto padrão, demanda de compradores de fora da cidade, perfil de investidor que mescla moradia e renda por temporada. Balneário se transformou em uma das praças imobiliárias mais valorizadas do Brasil na última década — e quem comprou lá antes desse ciclo sabe exatamente o que aquela decisão valeu.
As diferenças também existem e são legítimas, Balneário tem a montanha como pano de fundo, o que cria um cenário urbano singular. Praia Grande é mais paulistana no perfil, culturalmente mais próxima da capital, com uma dinâmica de cidade grande que o interior do estado reconhece. São mercados diferentes, não concorrentes — e a trajetória de Balneário serve menos como espelho e mais como referência de que esse tipo de movimento tem precedente e tem lógica.
O Canto do Forte é o bairro que dita a régua de preços da cidade, espremido entre a área militar e o Morro do Xixová, sem espaço para crescer, com a maior concentração de imóveis de alto padrão e a liquidez mais alta de Praia Grande. Quem comprou lá há três anos acumula valorização consistente — e quem compra hoje compra um ativo com escassez geográfica real, algo raro no litoral paulista.
A Aviação é a grande surpresa desse ciclo. A revitalização da orla e a chegada de empreendimentos de alto padrão puxaram a média do bairro de forma acelerada nos últimos dois anos. Para quem ainda não se posicionou, é o bairro com o maior potencial de valorização à frente.
A Guilhermina equilibra os dois mundos com elegância, boa liquidez, demanda forte de temporada e short stay, preço ainda competitivo para o padrão de lazer que os novos empreendimentos entregam. É onde eu vejo mais investidores de renda se posicionando.
Tem basicamente duas lógicas de investimento que vejo funcionar em Praia Grande, e elas não são excludentes — muita gente começa com uma e migra para a outra conforme o patrimônio cresce.
A primeira é preservação e valorização, comprar em bairro consolidado, segurar o ativo com tranquilidade, colher a valorização no tempo. O Canto do Forte é o exemplo mais claro disso, baixa volatilidade, demanda constante, o tipo de imóvel que não precisa de atenção constante para performar.
A segunda é renda, estruturar uma operação de Airbnb profissional no imóvel certo. O aluguel comum em Praia Grande entrega entre 0,4% e 0,5% ao mês — uma operação bem estruturada de short stay, no prédio certo, na localização certa, busca entre 0,8% e 1% líquido, simplesmente o dobro e a diferença está na escolha do ativo, até três quadras do mar, lazer completo no prédio, condomínio dimensionado para esse uso. Errar nessa escolha é o erro mais caro que um investidor de renda comete.
Os lançamentos de 2024 já absorveram mais de 65% das unidades. Os novos projetos chegam com preços maiores — o que é o sinal mais claro de que o ciclo está em movimento, não parado.
Praia Grande está em um momento que eu não vejo com frequência nesse mercado, grande o suficiente para ter liquidez e infraestrutura, pequena o suficiente para ainda ter oportunidade real de posicionamento. Com 23 quilômetros de orla, uma população permanente que ultrapassa 300 mil habitantes, o maior volume de lançamentos do litoral sul paulista e uma demanda que vem de fora em ritmo crescente — a cidade está no meio de uma transformação que quem mora aqui sente no cotidiano.
Sem pressão, sem promessa de retorno garantido — só análise real do mercado que a gente conhece de perto.
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